Repressão ou administração de conflitos?

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O que propomos não tem nada a ver com reprimir raiva. O conceito de administração de conflitos consiste em usar a inteligência em vez da emoção desvairada. Reprimir seria impedir o livre fluxo da emoção destrutiva. Administrar conflitos consiste em não bloquear e sim direcionar, canalizar, sublimar a fim de que as emoções saiam, fluam livres, mas na direção que mais nos convier com vistas e resultados futuros.

Minha juventude foi vivida nas praias de Ipanema e Leblon. Desde meninos, aprendemos a não lutar contra a correnteza. Se a corrente nos pegar, não devemos lutar contra ela, nadando em direção à terra firme. O resultado seria infrutífero e acabaríamos exaurindo nossas forças e morreríamos afogados. Todo bom nadador de mar aberto sabe que se cair numa corrente deve nadar a favor dela, para fora, dar a volta e só depois nadar em direção à praia. Assim é também nas relações humanas e afetivas.

Quando mais novo, meus cabelos eram rebeldes (ainda bem que eram só os cabelos). Durante anos, troquei de cabelereiro, buscando uma solução, mas todas as tentativas de dominar aqueles fios com vontade própria resultaram frustradas. Até que um dia um profissional mais velho me disse para não lutar contra os cabelos. Não adianta penteá-los para trás, porque não é a natureza deles. Ceda à tendência dos fios e escove-os primeiro para frente. Depois para baixo. E, só então, para trás. Fiz isso e fiquei perplexo! Os cabelos aceitaram meu comando e se comportaram como eu queria.

Estes dois exemplos tem o objetivo de ilustrar que, para vencer, algumas vezes, é preciso saber ceder. Não é reprimir-se. É saber aplicar estratégia de liderança.

Texto extraído do livro “Método para um bom relacionamento afetivo” do autor DeRose.