Autoconhecimento: a metáfora da garrafa

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À medida que os limites do conhecimento se ampliam, surge uma consciência de grupo como complemento da consciência individual. A preocupação por si mesmo dá lugar a uma visão mais ampla, que abraça em primeiro lugar o ambiente social e depois se expande para os outros seres da natureza e do meio ambiente.

Compreendemos o “conhecimento” não como a simples incorporação de dados externos, mas como percepção e intuição da própria natureza; um termo mais apropriado seria o autoconhecimento, caso contrário, perde-se a visão de que tal estado necessariamente leva a uma apreciação mais refinada de tudo o que não é a si mesmo e está por perto.

O Preceptor DeRose explica isso com uma metáfora: imagine uma série de garrafas cheias de água do mar, vivendo lado a lado no oceano. A água que está dentro é a mesma que está no exterior, em todo aquele imenso universo de água. E a água que está dentro de uma é a mesma que está dentro da outra. No entanto, as garrafas tampadas pensam que a porção que tem dentro dela é diferente do resto do universo. Algumas dessas garrafas conseguem destampar-se e, então, percebem que a água que está dentro é a mesma que está fora e que o universo flui para dentro e para fora sem obstáculos ou impedimentos. Elas percebem que eles não estão separados um do outro, mas que todos estão ligados e em comunicação uns com os outros pelo fluído cósmico. As garrafas são seres humanos. A tampa é a personalidade. A água é o Absoluto […].

É possível destampar a garrafa através do autoconhecimento. Agora, tendo um vislumbre de quais são os resultados desse processo, em termos de coesão com o meio ambiente e desenvolvimento de uma consciência menos egoísta e mais solidária, é possível seguir o caminho para o extremo oposto.

Cultivando um comportamento mais generoso, mais disposto a assumir responsabilidades para o ambiente social e ambiental, mais ativo nas causas que promovem uma melhoria da sociedade além do individual, mais ética e, portanto, mais responsável… Aperfeiçoando todos essas qualidades, podemos expandir a consciência, saber o que nos rodeia, de uma maneira que não é intelectual, usando a palavra conhecer como uma maneira de aludir à interação profunda que é alcançada com o meio ambiente uma vez que a garrafa foi destampada da personalidade.

Texto extraído do livro “Una revolución sutil” de Yael Barcesat.